É bem capaz de ser sonho de qualquer adepto: entrar em campo e resolver o jogo da sua equipa. A partir de agora, Pelé pode fazê-lo. “Sim, sou adepto do FC Porto. Sempre fui portista, e é com todo o prazer que represento este clube”, disparou logo a abrir, pouco preocupado se isso seria ou não politicamente correcto. Aliás, garantem que foi sempre assim. Já tinha constado que Pelé fizera os treinos de captação no Boavista equipado à FC Porto, mas a dedicação subiu uns pontos com outra história que segue direitinha aos corações dos portistas: quando esteve no Benfica, o médio resolveu decorar o quarto à sua maneira. “É verdade. Eu e o Joel, que era o meu companheiro, tínhamos um cachecol do FC Porto.” A isto chama-se, provavelmente, o supra-sumo da provocação. E, como está fácil de perceber, não faltaram as confusões, porque Pelé nunca foi de esconder a preferência clubística, abreviando o percurso na Luz. Inadaptado, rescindiu o contrato com o Benfica, aceitou o convite do Guimarães e, depois disso, tem andado de nuvem em nuvem. Do Inter ao Dragão. “Saí de uma grande equipa e vim para outra. Por isso, aceitei a mudança”, resume.
Campeão italiano, acumulou experiência, mas nunca jogou no principal campeonato português. “O futebol é assim”, limita-se a observar, entre um encolher de ombros e um desejo. “Espero que a estreia seja boa.” Gosta de elogios, como todos. E os treinadores que lidaram com ele, Mancini incluído, costumam dizer que, apesar dos 20 anos que constam do bilhete de identidade, Pelé é um jogador maduro. “Se eles dizem…” - comenta, antes do remate: “Tento jogar à minha maneira, e, se pensam que sou maduro, fico contente. É uma das características que um centrocampista deve ter.” Antes de deixar Milão, conversou com Mourinho. “Disse-me para trabalhar bem e que acredita em mim.”
“Aqui também há muitas estrelas”
Primeiro dia de Pelé no balneário portista, e uma certa sensação de familiaridade, diz ele: passou de uma constelação a outra. “O balneário do FC Porto também está recheado de estrelas”, contrapõe, numa comparação inevitável. “Esta é uma equipa campeã, e, no que me diz respeito, não muda nada. Estive no balneário do Inter com todo o gosto e estarei aqui também com todo o gosto”, garante. Andou entre Figo, Ibrahimovic, Zanetti sem qualquer tipo de complexos, atitude que manterá com Lucho, Lisandro e companhia.
Já não terá a de Paulo Assunção, mas é certinho que terá de conviver com a imagem durante algum tempo. Pelé tenta manter uma identidade própria “Não têm de ser feitas comparações. Nenhum jogador é comparável. O Paulo Assunção teve um papel importante no FC Porto e cumpriu-o bem. Começo agora o meu ciclo e espero trabalhar bem para ter o meu papel”, sublinha. Além da imagem de Assunção, haverá algo mais real a ultrapassar: a concorrência de Fernando, Guarín, Bolatti e companhia… Ler mais










